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quarta-feira, 29 de outubro de 2008

nível de eruditismo



"As pessoas que frequentam o ciclo de cinema italiano são mais eruditas do que as que preferem o ciclo de cinema francês."

Esta magnífica cidade Invicta tem tido a sorte de poder entreter os seus habitantes com cinema de elevadíssima qualidade. Como é hábito, os cinemas Medeia (Cidade do Porto e Campo Alegre) brindam-nos com este tipo de eventos. Decorreu, na semana passada, o 9º ciclo de cinema francês e, ainda decorre (até 29 de Outubro), o ciclo de cinema italiano.

Tive a oportunidade de ver um filme em cada um dos ciclos. Ambos magníficos ainda que de géneros diferentes: "Toi et moi / Tu e eu" de Julie Lopes-Curval e "La finestra di fronte / A janela em frente", de Ferzan Ozpetek.

Não é que, depois do filme italiano terminar, ninguém, mas ninguém se mexeu para ir embora?... Apenas eu, esbocei um leve e discreto movimento de pegar no casaco, mas logo me detive e disfarcei para não me julgarem uma turista ocasional, daquelas pessoas que lá foi parar por acaso e que, nem sabem como, não reclamou por não haver pipocas à venda. Não, não queria que pensassem semelhante coisa de mim.
É que NINGUÉM se mexeu antes dos créditos do filme (vulgo "as letras") terminarem!!
Achei fantástico.

Já no final do "Toi et moi", ainda nem tinha passado a 2ª linha dos créditos, já havia pessoas de costas para o grande ecrãn. Eu não, claro. Outros...

Está tudo dito.

Desengane-se quem achava que a filmografia francesa significa erudição, ainda não viram nada!!

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Musicoterapia

É conhecido o poder que a música tem no nosso bem estar. Muitas vezes temos problemas, estamos tensos, e utilizamos a música para descomprimir. Se isso é verdade na simples audição, mais ainda quando sabemos tocar um instrumento. Parece que os problemas se encarreiram e saem pelos nossos dedos a cada nota tocada, quais ratinhos do flautista de Hamelin...

Agora imaginem que o instrumento que tocamos é nada menos de que o carrilhão da nossa aldeia!...

Este é apenas um dos motivos para ir ver Bem-vindo ao Norte

domingo, 4 de maio de 2008

My Blueberry Nights

Ir ao cinema não tem que ser uma experiência sofisticada e altamente intelectual. Por vezes, gosto de me deixar levar por um filme despretencioso e sem outro objectivo que não seja o puro entertenimento. Foi com esta ideia em mente que me desloquei à "catedral" cinematográfica de Vila Nova de Gaia para ver My Blueberry Nights, com a tradução livre para português "O Sabor do Amor".

Mas os filmes pregam-nos partidas. My Blueberry Nights, um filme de Wong Kar Wai, com Norah Jones, Jude Law, Natalie Portman, e Rachel Weisz, é surpreendente sob diversos aspectos. Em primeiro lugar, pela forma como foi realizado, demonstra uma invulgar componente teatral, uma vez que é marcado pelos grandes planos dos actores e por longas sequências sem acção. Em certo sentido, é aquilo que muitos designam por um filme "muito parado", com o realizador a não hesitar em ficar concentrado durante cinco minutos no diálogo entre duas personagens, desfocando tudo o que os rodeia.

Um segundo ponto a realçar é a substância dos diálogos e o realismo das personagens. Pode dizer-se que não há nada de irreal no filme. Tal como as personagens, todos nós somos frequentemente afectados pela ausência, ou dificuldade de diálogo e comunicação com os outros, sobretudo com aqueles que nos são mais queridos. Um dos méritos do filme reside precisamente no facto de nos identificarmos com as personagens nele representadas.

Por último, é de realçar a surpreendente interpretação de Norah Jones. Raramente os músicos dão bons actores, mas neste caso a experiência é, a meu ver, francamente positiva. O melhor elogio que se pode fazer à interpretação da cantautora é que é desprovida de tiques pretenciosos que caracterizam muitos profissionais. Poderá argumentar-se, e com razão, que ainda é cedo para uma conclusão definitiva, mas por agora pode dizer-se que Norah Jones evita o embaraço e revela um futuro promissor na Sétima Arte.

No Semanário Expresso, a crítica ao filme divide-se. O pseudo-intelectual Francisco Ferreira atribui-lhe uma bola preta. Jorge Leitão Ramos, com quem concordo frequentemente, dá-lhe três estrelas, sem dúvida bastante mais ajustadas à valia da obra.

sábado, 26 de abril de 2008

Persona (1966) - Ingmar Bergman

Persona é provavelmente um dos filmes mais "difíceis" que já vi. Para além da surreal sequência de abertura, que mistura uma crucifixão, uma tarântula, um pénis erecto, uma ovelha a ser abatida, excertos de filmes mudos e vários corpos inertes/mortos em camas de hospital, o filme é trespassado por uma aura misteriosa e demencial. Bergman não é um cineasta fácil. Já o sabia. Mas Persona é, de entre os objectos cinematográficos do autor, o mais intrigante.

Elizabeth Vogler (Liv Ullmann), uma actriz que interpreta o papel de Elektra numa peça deixa subitamente de falar e é internada num hospital. Alma (Bibi Andersson) é a enfermeira encarregue de cuidar de Elizabeth, acabando ambas por se instalarem numa casa de praia da directora do hospital. Ao longo do seu contacto, a enfermeira fala com Elizabeth como se ela fosse sua interlocutora e revela-lhe as suas experiência sexuais precoces e um aborto ocorrido na sequência de uma relação com um homem casado, entre outros sentimentos e emoções.

Após meses sem que Elizabeth pronuncie uma palavra, Alma oferece-se para depositar no correio a correspondência pessoal da actriz. Movida pela curiosidade, acaba por ler a carta dirigida à administradora, na qual Elizabeth afirma estudar em detalhe o comportamento da enfermeira. A partir deste momento, a personagem de Alma transfigura-se por completo, passando a expressar o seu ódio e desprezo pela actriz.

O aspecto mais complexo do filme reside no facto de, sobretudo após a leitura da carta, as personalidades de Elizabeth e Alma se confundirem, ao ponto de confundir o espectador sobre quem exerce a actividade profissional e quem é a paciente (um fenómeno designado de transferência em psicanálise). Mais do que isso, uma interpretação alternativa sugere que as duas personagens são uma só pessoa, sendo Elizabeth a pessoa "interior" e Alma a sua versão "exterior" ou "revelada". Várias cenas ao longo do filme contribuem para algum fundamento desta explicação.

Para mais informação e "interpretações alternativas" sobre Persona, aconselha-se a leitura do longo artigo em inglês na Wikipedia.

domingo, 2 de março de 2008

Deus e o Diabo no Rivoli

Reparem bem na fachada do Rivoli: "Música no Coração" de um lado, "FantasPorto 2008" do outro!
O que é isto???
Ofereceram o Rivoli ao populismo, com muito favor deixaram eventos consagrados como o Fantas ocuparem o lugar que sempre lhe coube, mas mantendo num cantinho...

Nós não nos importamos, porque somos muito maiores do que essas mesquinhices:
- o Fantas está entre os 25 melhores festivais de cinema do mundo, o único de cinema fantástico
- está, este ano, muito maior do que sempre, além do Rivoli, no Teatro Sá da Badeira e em 10 dos cinemas Lusomundo em várias cidades (Porto, Aveiro, Braga, Coimbra, Gaia, Gondomar, Vila Real, Viseu)

Viva o cinema fantástico!