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terça-feira, 9 de setembro de 2008

Why Europeans Don't Get It...

10 reasons why Europeans don't understand the McCain/Palin ticket is not dead on departure:

1. The American Voter does not live in New York City or Los Angeles. He/She lives in Pascagoula (Mississippi), Amarillo (Texas), Moscow (Idaho) and, of course, Wasilla (Alaska; hometown of Gov. Palin);

2. "We are not hypocrites. We are pro-life: against abortion, against euthanasia, pro-death penalty"

3. "Who cares if the USA has 30 times more gun-related deaths than the United Kingdom: the National Rifle Association is the largest lobby in Washington, DC and they give us a lot of money. Besides, guns do not kill people; people kill people."

4. Sarah Palin runs a family values-based campaign. Her 17 year-old daughter is pregnant and the boyfriend is the father. Again, no inconsistencies here: they are getting married.

5. John McCain is a candidate supporting change. As the slogan goes: "Change We Can Trust". McCain voted with Bush over 90% of times, but there is no contradiction here. After all, he voted against Bush almost 10 percent of times.

6. Let's build bigger, less fuel-efficient, SUVs to save American car companies. Wait... We need oil to operate them! No problem: oil companies can drill in Alaska. Oh yeah! This is a great plan to get us rid of foreign oil dependency... for about a decade.

7. The 18 million women who voted Hillary Clinton in the Primaries are now considering voting Sarah Palin because she is a woman. She will be an excellent grandmother, excuse me, Vice President, while devoting full attention to, and taking care of, her 5 children. Right... And I am Santa Claus. (I know, this is just plainly sexist...)

8. Sarah Palin is a hockey mom from Wasilla, Alaska. Europeans are ignorant: "What in the world's name is a hockey mom? Does that qualify you to be Vice-President?" (In Palin's own words: "What's the difference between a pitbull and a hockey mom? Lipstick!")

9. There were no weapons of mass destruction in Iraq, like the last Republican Presidential candidate said there would be, but... what we really care about is the economy, stupid!

10. A BLACK President called Barack HUSSEIN Obama. ARE YOU CRAZY?!?!?!

The guy that posted this is an ignorant. Please excuse him...

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Autismo, versão governamental

Ao ouvir o debate de hoje à tarde sobre o "Estado da Nação", interrogo-me sobre qual a razão que leva o Primeiro-Ministro José Sócrates a não responder às questões dos deputados da oposição... Já repararam? É absolutamente estupidificante ouvir aquelas respostas...

Francisco Louçã cita relatórios do Tribunal de Contas, dá exemplos da promiscuidade nas nomeações políticas para as empresas públicas e apresenta a evolução das estatísticas do desemprego ao longo do último mandato, o PSD invoca a alteração da conjuntura para questionar os investimentos públicos em infraestruturas e solicitar a apresentação dos custos e benefícios a elas associados, Paulo Portas lista as afirmações passadas que comprometem Sócrates, etc.

Da boca de Sócrates só ouvimos vulgaridades: desconversa, "chuta para canto", tregiversa, finge-se ofendido e chocado. Mas responder às questões... nada. Não há pachorra!!! Deve pensar que os portugueses são um bando de idiotas e ignorantes que se deixam convencer com aquela encenação. Se voltarmos a eleger aquele "senhor" para formar governo, temos aquilo que merecemos: alguém que sabe exactamente nada sobre coisa nenhuma e que se limita a decorar discursos e respostas devidamente elaborados por alguns acessores, que nem sequer são particularmente brilhantes.

domingo, 27 de abril de 2008

Prova Superada

Como professor da licenciatura de Administração Pública enfrento com frequência a dificuldade em ilustrar a discussão teórica das questões. Nos anos em que vivi nos Estados Unidos, reuni um conjunto de exemplos que chegam para ocupar as aulas de um semestre e divertir os alunos com a capacidade de inovação e improviso dos seres humanos na tentativa de contornar a implementação de legislação e contratos. Aqui ficam dois exemplos deliciosos...

Exemplo 1:

Estava no auge a febre das concessões de serviços ao sector privado, quando a cidade de Tallahassee resolveu concessionar os seus serviços de recolha de lixo a uma empresa privada. A ideia era simples: entregar a recolha a uma empresa que obtivesse ganhos de especialização e escala, reduzindo, deste modo, os custos para o município.

Várias empresas apresentaram propostas a concurso e foi assinado um contrato com a empresa seleccionada, que estabelecia a remuneração dos seus serviços com base no desempenho, mais concretamente com base na quantidade de toneladas de resíduos sólidos urbanos recolhidos. Durante os meses seguintes, os custos com a recolha dispararam, sem que a autarquia compreendesse o que se estava a passar. O contrato de concessão estava a funcionar no sentido exactamente oposto ao que previa a teoria.

Uma auditoria promovida pelo município veio esclarecer o mistério: a empresa privada regava o lixo para aumentar o seu peso, aumentando assim a remuneração dos seus serviços.

Exemplo 2:

Tallahassee fica na chamada Cintura da Bíblia (Bible Belt), uma zona do Sul dos Estados Unidos em que domina o protestantismo evangélico. Escandalizados com a abertura de um restaurante em que as empregadas serviam os seus clientes com os seios desnudados, os membros da county commission aprovaram um regulamento proibindo a prestação de serviços de restauração em topless.

Mas a capacidade de improvisação dos empresários é inesgotável: o regulamento diz que é proibido ter empregadas a servir topless, mas não diz nada sobre bottomless. Nos dias seguintes, as empregadas apresentaram-se aos clientes sem a parte de baixo do bikini! A county commission reuniu de emergência para emendar o regulamento...


Nota: A gerência do Sofá agradece a distinção de "Blog da Semana" concedida pelo blog do excelente programa da Antena 3 Prova Oral e retribui com a dedicatória deste post.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

De onde vem o maior perigo? Do cão ou do legislador?

Fiquei estarrecido com as declarações do Ministro da Agricultura sobre a incapacidade em fazer cumprir a lei relativa aos canídeos (obrigatoriedade de uso de trela e açaimo em locais públicos). Este hábito é típico dos portugueses: na impossibilidade de fazer cumprir a lei, opta-se por mudar a legislação. Como ninguém cumpria a lei anterior, muda-se a lei do tabaco. Como há indisciplina nas escolas, mude-se o estatuto disciplinar do aluno. Como não se consegue controlar a higiene no negócio dos piercings, proíbam-se os ditos cujos. Como não se conseguem evitar os ataques de cães perigosos, proíbem-se os animais. Em Portugal, o incumprimento da lei só tem uma consequência: mais trabalho para legisladores e juristas e menos liberdades para os cidadãos. Onde é que vamos parar nesta voracidade legislativa? Qualquer dia o Estado legisla sobre a posição admissível para praticar o coito…

Dizem os representantes dos animais que não são os animais que são perigosos, mas sim os donos que treinam os animais para os piores fins. Onde é que eu já ouvi isto?... Os americanos da National Rifle Association (NRA) também afirmam: “Guns do not kill people; people kill people”. É verdade que as pessoas disparam as armas, mas se não houvessem tantas armas disponíveis, talvez as pessoas não tivessem tantas oportunidades de dispará-las.

No caso dos cães, o princípio do legislador parece ser o mesmo: se não houver tantos animais por aí, talvez, e sublinhe-se o talvez, haja menos ataques de cães perigosos a seres humanos. O problema com este argumento é óbvio. O legislador parte sempre do princípio que é possível modificar comportamentos por decreto. Acontece que o treino dos cães para atacar pessoas já era uma actividade ilícita, e não será a proibição de deter a propriedade destes cães que vai deter os criminosos de continuar a treiná-los para actividades ilícitas, como as conhecidas lutas ilegais.

Tal como nas descargas de poluentes, no excesso de velocidade na estrada ou na falta de higiene nos restaurantes, a solução para o problema dos ataques de cães perigosos é relativamente simples: faça-se cumprir a lei que existe, em vez de mudar a lei na expectativa de que essa modificação produza efeitos milagrosos no comportamento.

domingo, 23 de março de 2008

Odete Santos, as amêndoas e o colesterol

Odete Santos, uma personagem da política portuguesa com a qual não simpatizo particularmente, tem uma tribuna de debate no Jornal das Nove da SIC Notícias. As razões para a minha antipatia são simples. Nada contra alguém que tem convicções fortes, mas a forma desbragada e mal-educada com que, demasiadas vezes, interrompe os seus interlocutores, faz-me perder qualquer vontade de ouvir o debate. Espectador atento do Jornal das Nove, dou frequentemente comigo a mudar de canal assim que esta personagem aparece, por volta das 21:30.

Durante esta semana, resisti um pouco mais e, dei comigo a ouvir Odete dizer, no final da sua intervenção, que não comia amêndoas porque "fazem mal ao colesterol". Ora, se Odete se referia às tradicionais amêndoas da Páscoa, compostas por açucar, óleo vegetal e amêndoa, cabe-me informá-la que essas amêndoas não têm colesterol. O colesterol é de origem animal e está presente em alimentos como os ovos, a manteiga, a carne, os enchidos, etc. Não se estando a referir, como ela própria admitiu, às amêndoas de chocolate (que levam manteiga), Odete deveria informar-se sobre o conteúdo das amêndoas tradicionais ou conhecer melhor os alimentos que provocam colesterol.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Serviço Público no lixo

A comunicação social tem o mérito, duvidoso, de nos fazer acreditar que tudo o que nela aparece relatado é verdadeiro. Ontem, quarta-feira, o noticiário das manhãs da RTP1 abriu com a afirmação bombástica: "A Super Terça-Feira das primárias americanas teve dois grandes vencedores: John McCain do lado dos Republicanos e Hillary Clinton do lado dos Democratas.

Nada a apontar em relação ao campo Republicano. Já a notícia sobre Hillary era uma mentira. Só encontro três explicações para o facto:
1. A Direcção de Informação foi recolher a informação à internet e, sem qualquer espírito crítico, limitou-se a reproduzir informações contidas em sites favoráveis a Clinton. Resultado: Incompetência.
2. A Direcção de Informação da RTP1 não procurou informação detalhada sobre os resultados efectivos das eleições. Àquela hora da manhã em Portugal (9h00), era 1 da manhã na California e a contagem ainda ia a meio caminho nos estados da costa oeste, com uma proporção significativa dos delegados ainda por atribuir. O site oficial dos resultados indicava que a contagem estava parada e seria retomada às 8h da manhã. Resultado: Desleixo.
3. Se, em lugar de grandes parangonas, a Direcção da RTP tivesse optado por uma declaração prudente em relação às Primárias dos Democratas, teria feito muito melhor serviço público. E teria acertado. Resultado: Precipitação.

É que Barack Obama ganhou as eleições a Hillary Clinton em 13 estados e perdeu em 8 estados. Como a vitória de Clinton ocorreu em estados com mais população (e eleitores), a distribuição de delegados é praticamente idêntica: 830 para Clinton contra 820 de Obama. Tendo em conta que ainda faltam eleições em 18 estados e quase 1000 delegados por eleger, a diferença de 10 é, para todos os efeitos, um empate.

Em relação à informação dos canais televisivos, só tenho um lema: Desconfiar. Desconfiar sempre.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Uma bacalhoada sem fumo, por favor!

Nos últimos dias, a nova lei do tabaco tem sido atacada por inúmeros comentadores iluminados da nossa praça. Só no dia de ontem, ouvi quem lhe chamasse "ditatorial" e "fundamentalista". Claro que, não acidentalmente, os autores das injúrias são todos fumadores (Ó Miguel! Eu tenho tanto respeito por ti... não havia necessidade!). Em contraste, ainda não ouvi nenhum não fumador reclamar com saudades dos tempos em que podia comer com aquele cheirinho agradável a cigarro, ou um funcionário queixar-se de não conseguir concentrar-se com o ar puro que afecta agora a repartição pública onde trabalha.

Este é um caso típico de uma minoria muito empenhada, com preferências intensas (tal como o cheiro, aliás) e uma imensa maioria, uns 75% da população portuguesa, pouco mobilizada para defender o que é de elementar justiça: o direito ao ar puro. Se os partidários fanáticos dos referendos sugerissem um para a nova lei, a rejeição seria imediata devido a uma elevadíssima taxa de abstenção. O tempo de antena concedido aos fumadores é tanto que a vitória estaria certamente assegurada.

Desde que a nova lei entrou em vigor, já dei comigo num espaço comercial do grande Porto a pensar como é agradável comer na praça da alimentação sem levar com o fumo do cigarro do vizinho do lado. Constatei igualmente como a secretária do Departamento lá da Universidade deixou de atender os utentes com um cigarro aceso na mão. O próprio comboio Intercidades, que de si já não cheira particularmente bem, passou a ser um local mais agradável, sobretudo junto às portas, onde se tendiam a concentrar os fumadores.

É verdade que ainda há problemas com a implementação da lei, mas... helloooou, isto é Portugal! Qual é a lei que não tem problemas de implementação?! Desde quando é que a brigada de trânsito multa todos os condutores que excedem os 120km/h na auto-estrada? Qual foi a última suinicultura multada pelas descargas na Ribeira dos Milagres (Leiria)?

O ar está mais puro e posso dizer que estou pouco preocupado com a minoria tiranizada pela nova lei. Aliás, atrevo-me a sugerir aos que sentem falta do ambiente de fumo nos restaurantes, que experimentem tomar a vossa próxima refeição em frente ao escape de um automóvel ligado. Ficariam com uma sensação semelhante à que eu experimento quando fumam ao meu lado enquanto eu degusto um belo bife à Portuguesa.